FALECEU FERNANDO SILVEIRA RAMOS

(Jul.2012)

A sua vida confunde-se com a história da CONSULMAR.

Foi sob a sua liderança, desde 1980, que a CONSULMAR cresceu, atravessou fronteiras, se consolidou e grangeou o estatuto de Empresa de referência na engenharia. Era actualmente Presidente do Conselho de Administração da holding do grupo, a OC – Organização de Consultores, SGPS, S.A.

Sempre disponível para um bom combate, fosse pela liberdade, pela democracia, pela justiça ou por uma simples ideia, empenhou-se sempre activamente numa intensa actividade politica e social.

Ao perder este derradeiro combate deixa-nos uma saudade imensa. Mas a sua memória enche-nos de orgulho e de inspiração.

 

Nota Biográfica (in Prémio Secil 2009)

Fernando Coutinho da Silveira Ramos, nasceu em Lisboa em Maio de 1941, tendo-se licenciado em Engenharia Civil, pelo Instituto Superior Técnico, em 1966. Iniciou a sua actividade profissional ainda como estudante, no Serviço de Hidráulica do Laboratório de Engenharia Civil onde ingressou como Técnico Superior em 1967 e onde se manteve até 1972.

A partir do ano de 1972 passou a exercer actividade profissional na empresa de estudos e projectos Consulmar, sempre nas áreas da engenharia costeira e portuária. Em 1981 assume responsabilidades de Direcção, o que mantém até hoje.

Foi interventor ou responsável no desenvolvimento de muitos estudos portuários e costeiros onde merecem referência pela sua criatividade os estudos e projectos da reconfiguração dos portos de Viana do Castelo, Figueira da Foz e Aveiro, os Terminais de granéis líquidos e sólidos do Porto de Sines e o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Porto de Lisboa, onde se preconizou a reconfiguração do Terminal de Alcântara e a implementação do tráfego fluvial de contentores. Alguns outros trabalhos merecem também destaque pela sua especificidade, como por exemplo os estudos que conduziram ao registo em 2002 de uma Patente Nacional no domínio das estruturas portuárias (já utilizadas no porto de pesca da Afurada e no terminal multiusos do Porto de Leixões) e os estudos de I&D para integração de uma central de aproveitamento da energia das ondas no molhe norte da barra do Douro (aprovados para financiamento pela EU e onde existia suporte técnico e financeiro da EDP mas que não foi implementado por falta de suficiente vontade política).

Esta actividade profissional continuada nos domínios da hidráulica marítima, engenharia costeira e estruturas portuárias levaram à atribuição em 2009 do Prémio Fernando Abecasis, de excelência de carreira, atribuído pela Delegação Portuguesa da PIANC (Permanent International Navigation Congress).

Fernando Silveira Ramos acompanhou esta actividade profissional com uma intervenção empresarial e associativa relevante.

Em representação da Consulmar participou na Administração de várias empresas associadas na área da consultoria, projecto e ambiente.

É membro da Direcção do Centro de Energia das Ondas, associação sem fins lucrativos que ajudou a formar em 2002, é membro fundador (1991) da Eurocoast-Portugal, integra o Conselho Consultivo da Vortal, S.A. e foi membro durante vários anos dos Júris dos Prémios “Leca da Construção” e “Engenheiro do Futuro”.

Participa em 1973 no I Congresso Nacional de Projectistas e Consultores, onde serão lançadas as bases da futura Associação do Sector que viria a ser legalizada em 1975 com a sigla APPC – Associação Portuguesa de Projectistas e Consultores. Foi depois membro de vários dos seus órgãos sociais e eleito seu Presidente em 1998, e reeleito sucessivamente em 2001 e 2004.

Participa no decorrer do exercício profissional em muitos debates e conferências nacionais e internacionais sobre as problemáticas do planeamento e da implementação das intervenções nas áreas costeiras e portuárias, salientando-se neste contexto o trabalho apresentado no XVI Congresso da Ordem dos Engenheiros, onde propôs uma estratégia integrada e sustentada para a requalificação e protecção da zona costeira em Portugal.

Fernando Silveira Ramos compatibiliza as suas actividades profissionais, empresariais e associativas, com uma actividade social e política que exerce desde estudante e que prolonga até hoje, mas que com elas não interferem nem interpenetram.

Enquanto estudante do Instituto Superior Técnico fez parte das estruturas da Associação de Estudantes, tendo sido Presidente da Junta de Delegados de Curso em 1959/60. Foi membro do Movimento Democrático Português (MDP/CDE) desde 1974 e seu dirigente durante vários anos; participa na transformação do MDP em Política XXI, tendo sido um dos dinamizadores da criação do Bloco de Esquerda, que aquela organização integrou posteriormente.

Como reconhecimento desta actividade profissional empresarial, associativa, social e política, foi agraciado em 2005 com o grau de Grande-Oficial da Ordem de Mérito Agrícola Comercial e Industrial, com que foi distinguido por Sua Excelência o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.